domingo, 26 de outubro de 2008

No meio do caminho, tinha um professor.



Descobrir o limite entre liberdade e autoritarismo em nossa prática docente não é tarefa das mais fáceis, mas não é por isto que não devamos trocar experiências e, por que não dizer, procurar em autores de referência o que a Pedagogia, a Filosofia, a Psicologia têm para nos auxiliar nisto que entendemos como um grande desafio de nossa atuação em sala de aula: quais os caminhos de que dispomos para auxiliar nossos alunos na compreensão do que diferencia a atitude egoísta do ato solidário? A dependência da autonomia? Ou seja, como despertar a crítica e a reflexão, através de debates em sala de aula, mantendo a disciplina suficiente, para garantir que todos (sem exceção) possam expressar suas verdades, aprendendo a respeitar a opinião alheia e se fazendo respeitar, em suas convicções?

Há muito que não aceitamos mais o que o senso comum tentava nos ensinar: “educação se traz de casa”, pois, o que vemos no ambiente escolar, na maioria das vezes, contraria esta afirmação.

Então, se ela não é item obrigatório, disputando espaço com celular, caderno, livros e canetas na mochila de nossos alunos, qual o espaço que lhe compete?

Ou devemos continuar “empurrando pra debaixo do tapete” aquilo que os PCN incluem em seus conteúdos - o saber ser – permanecendo com nossa prática em torno dos dados, conceitos e procedimentos.

Se os conteúdos atitudinais embasam o caráter e a personalidade a serem desenvolvidos pelos nossos alunos, por que não os trabalhamos efetivamente em toda a esfera da didática?

Para as nossas avaliações em testes, trabalhos e provas, elaboramos questões “cobrando” dados, conceitos e procedimentos. Mas, em que momento avaliamos (cientificamente falando) as atitudes de nossos alunos? Elas só existem para facilitar a separação que fazemos de alunos bagunceiros dos “nerds” e, assim, contribuímos com nossa parcela, isolando aqueles que receberão um tratamento diferenciado daqueles que, provavelmente, a vida cocluirá a exclusão definitiva iniciada em nossas salas-de-aula?
Rοiτ®

Um comentário:

Roit disse...

São palavras do professor José Carlos Libâneo, na obra de referência "Didática", que merecem, no mínimo, uma parada para reflexão:.

“Uma das dificuldades mais comuns enfrentadas pelo professor é o que se costuma chamar de “controle da disciplina”. Dizendo assim, dá a impressão de que existe uma chave milagrosa que o professor manipula para manter a disciplina. Não é assim. A disciplina da classe está diretamente ligada ao estilo da prática docente, ou seja, à autoridade profissional, moral e técnica do professor. Quanto maior a autoridade do professor (no sentido que mencionamos), mais os alunos darão valor às suas exigências.

A autoridade profissional se manifesta no domínio da matéria que ensina e dos métodos e procedimentos de ensino, no tato em lidar com a classe e com as diferenças individuais, na capacidade de controlar e avaliar o trabalho dos alunos e o trabalho docente.

A autoridade moral é o conjunto das qualidades de personalidade do professor: sua dedicação profissional, sensibilidade, senso de justiça, traços de caráter.

A autoridade técnica constitui o conjunto de capacidades, habilidades e hábitos pedagógico-didáticos necessários para dirigir com eficácia a transmissão e assimilação de conhecimentos aos alunos. A autoridade técnica se manifesta na capacidade de empregar com segurança os princípios didáticos e o método didático da matéria, de modo que os alunos compreendam e assimilem os conteúdos das matérias e sua relação coma a atividade humana e social, apliquem os conhecimentos na prática e desenvolvam capacidades e habilidades de pensarem por si próprio. Um professor competente se preocupa em dirigir e orientar a atividade mental dos alunos, de modo que cada um deles seja um sujeito consciente, ativo e autônomo.”
(LIBÂNEO, José Carlos. Didática. Cortez, SP, 2007, págs. 252 e 253)

Paulo Freire

"Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica."

(Pedagogia da autonomia)