sábado, 8 de novembro de 2008

Serviço voluntário: dever e conscientização


O Dia do Professor, comemorado em 15 de outubro, não deveria ser lembrado apenas nesta data, assim como o Dia do Voluntário 5 de dezembro, para o professor, ao invés de somente uma lembrança, que tal: melhores condições de trabalho, auxílio para cursos de especialização e atualização, melhoria salarial a fim de que o mesmo não precise se deslocar entre tantas escolas e possa se atualizar e exercer a cidadania dedicando-se o voluntariado.

Basicamente, ser voluntário é devolver à sociedade o que ela nos fornece hoje, ou já forneceu, ou seja, toda a nossa educação formal obtida nos bancos das escolas e das universidades, estendendo-se aos cursos de pós-graduação.

Para chegarmos até este ponto, muitos brasileiros tiveram de passar fome assim como suas necessidades básicas não foram atendidas, devido a fatores sócio-político-econômicos diversos.

E, por último, lembramos que, no exercício do voluntariado, vivenciamos a oportunidade de isentarmo-nos do egoísmo e passarmos a pensar no outro, em primeiro lugar.

3 comentários:

Sérgio disse...

Ana essa é uma relação importante mas que, também, sofre apropriações bastante polêmicas. Não considero na mesma situação ser professor voluntário para um curso popular de preparação para o vestibular e ser voluntário de um empresa trabalhando em uma escola para suprir a carência de profissionais. No primeiro caso o voluntariado é educacionalmente suplementar mas no segundo caso é complementar. Talvez essa seja a principal problemática da campanha dos "Amigos das Escolas" pois elas já partem da naturalização da carência escolar e não trabalham para pressionar que antes o Estado posso suprir essas lacunas. Por isso acho que sempre devemos exigir minimamente profissionalização do serviço público educacional e complementar com o voluntariado possível. O que você acha?

Ana Roitberg disse...

Oi, como vai?!
Concordo, plenamente, com sua colocação.
Na minha concepção, não cabe o termo "voluntariado" àqueles que gastam seu tempo, podendo dedicar-se a serviços verdadeiramente voluntários, quando suprir as carências das instituições públicas é OBRIGAÇÃO governamental. Enfim, "amigos da Escola" é, realmente, uma maneira que o governo encontrou de se eximir de responsabilidades institucionais e econômicas, assim como as empresas utilizam isto como modo de "limpar a sua barra", "devolvendo", uma pequena parte de sua apropriação indébita.

Roit disse...

Sérgio e Ana, campanhas como Natal sem fome, Amigos da Escola e outras estimuladas por grandes empresários, principalmente aqueles acionistas majoritários de emissoras de tv, sempre carregarão um viés espoliativo. Infelizmente, há um verdadeiro exército de incautos que, eivados de boas intenções, acabam reproduzindo esta ideologia assintencialista, tão em moda ultimamente. Cursos de pré-vestibular alternativos e comunitários ainda representam um foco de resistência ao sistema, entretanto, há uma carência enorme de professores que se predisponham a doar um pouco de seu tempo àqueles que não tiveram oportunidade de obter uma escolarização decente.

Paulo Freire

"Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica."

(Pedagogia da autonomia)