sábado, 12 de dezembro de 2009

"Povo na merda" em fim de mandato?



Política
Divulgação: Milton Temer
Sex, 11 de dezembro de 2009 21:44

Nada mais justo do que reconhecer a peremptória declaração do presidente Lula. Fundamental é "tirar o povo da merda". Só alguém de muita sensibilidade popular, portador de imenso senso de comunicação com o coração e a alma dos mais humildes é capaz de expressar de forma tão profunda onde realmente chafurda o povo miserável do nosso país.

Mas fica no ar a pergunta óbvia que nenhum repórter "astuto", lamentavelmente, se propôs fazer a propósito da afirmação. Depois de tantos anos no governo, a quem Lula dirigia o oportuno impropério? A quem responsabilizava pelo que, de forma correta, estabelecia como prioridade naquele instante de retórica bem popular? Havia ali algum propósito de auto-crítica contra sua própria administração? Ou havia ali um ato falho, tendo em vista estar ele ao lado de Roseana Sarney, parte decisiva da família que não só assola os dramáticos espaços geográficos do estado do Maranhão, mas de todas as instituições ditas republicanas desta malfadada República? E com, cuja família, Lula mantém estreitos laços de aliança política.

Quem responder AMBOS terá, sem contestação, acertado.

Porque não chafurdam na merda outros segmentos - não tão numerosos, mas seguramente bem mais providos de poder sobre a riqueza nacional - ao qual, tanto Lula quanto Sarney prestam absoluta vassalagem. Recebendo, evidentemente, os bonus do que escapole às abas do chapéu que acoberta os privilégios que são constantemente ofertados a seus mentores.

Não chafurdam na merda os banqueiros que determinam, a partir dos prepostos bem distribuídos pelos postos-chave da economia nacional, a partir Conselho Monetário e do Banco Central, as linhas mestras de uma macroeconomia diretamente voltada para a defesa de seus interesses. São os juros, recorde em todo o mundo, dos títulos de nossa dívida pública que lhes enche, sem riscos, as burras com lucros pantagruélicos.

Não chafurdam na merda os ruralistas e latifundiários do agronegócio, a partir do papel de garoto-propaganda que o presidente da República lhes oferta em suas infindáveis viagens por todos os continentes. E a partir das infindáveis anistias para inadimplências fraudulentas que impõem, principalmente, ao Banco do Brasil. Estão aí os R$ 10 bilhões de multas perdoadas, por Lula, aos desmatadores, na contramão das desculpas esfarrapadas do ridículo ministro do Meio Ambiente, em seu esforço para demonstrar não ter sido bigodeado pela decisão presidencial à sua revelia.

Não chafurdam na merda os especuladores do famigerado "mercado", os de fora e seus cúmplices e dependentes internos, certos de que, a qualquer abalo no fluxo de ganhos sem produção de que se favorecem na esteira dos juros-recorde que o governo patrocina, o dinheiro público estará às ordens para garantir os lucros. Certos de que nada mudará na esteira de isenções tributárias com que são premiados, cada vez mais.

(continua...)

3 comentários:

Roit disse...

Uma critica deste porte pede alguns esclarecimentos sobre o autor, ao menos uma pequena biografia, a fim de que se verifique as intenções discursivas.
Milton Temer (Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 1938) é um jornalista e político brasileiro, com base eleitoral no estado do Rio de Janeiro.

Nasceu em Vila Isabel, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, filho de Gabriel Temer, comerciante sírio, e de Julia Temer, professora de literatura francesa. Formou-se oficial da Marinha e foi cassado pelo golpe militar de 64.

Desde então, tornou-se jornalista político em destacados jornais e revistas no Brasil. Como correspondente internacional, realizou importantes reportagens sobre política na América Latina e na África, cobrindo lutas de libertação e rebeliões em diversos países, como Nicarágua e Angola, e entrevistando estadistas como Salvador Allende.

Roit disse...

(cont.)
Em 1973, exilou-se na Europa, onde prosseguiu como jornalista político independente. Em 1978, retornou ao Brasil e à imprensa brasileira, sendo anistiado em 1985. Na TVE Brasil, foi criador do programa "Hoje já é amanhã", onde entrevistava cientistas e outros intelectuais, discutindo teses e projetos de impacto no desenvolvimento da ciência e tecnologia no Brasil. Foi membro do Partido dos Trabalhadores (PT) de 1988 a 2003, pelo qual exerceu, nas décadas de 1980 e 1990, mandatos como deputado estadual (1987-1991) e depois federal (1995-2003). Em 1990 concorreu ao Senado Federal sem sucesso. Rompeu com o PT em 2003 após discordar da política econômica do governo Lula. No ano seguinte, colaborou intensamente para fundação do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Em 2006 foi candidato a governador do Rio de Janeiro pelo PSOL. Fonte: wikipedia

Roit disse...

Esta foi "jogada" na coluna do Joaquim Ferreira sobre "a merda dos outros". Detalhe para a mesóclise parnasiana e para a sutileza feito pata de elefante

Livre-adaptações de Maurício Menezes, humorista, à fala de Lula da Silva, "já que a merda nãoe de hoje, para outros presidentes:
Jânio: "Sei que a plebe encontra-se envolta em bolo fecal e tirá-la-ei de lá."
FHC: "As classes menos favorecidas estão submersas numa massa de dejetos."
Collor: "Meu povo, mergulharei nesse mar para resgatar um a um."
Sarney "Merdeiros e merdeiras,"
Figueiredo: "Prefiro o cocô do cavalo."
(O Globo, 13/12/2009, Segundo caderno, p. 3)

Paulo Freire

"Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica."

(Pedagogia da autonomia)