quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

1964 - A Verdade


 
Quero pedir que, se possível, vcs leiam até o final e compartilhem essa foto! obrigada a todos!

Amigos, companheiros, queridos! Faço aqui um breve relato do que passei nos últimos dias: Fui a manifestação contra a comemoração do Clube Militar como publiquei aqui no meu mural. Ao chegar lá encontrei Maria Cristina Martins e ficamos gritando palavras de ordem e constrangendo cada milico de pijama que chegava para aquele circo de horrores. Com alguns momentos de tensão, a manifestação estava pacífica. Depois que a tropa de choque do bope chegou a coisa ficou bastante tensa. Eles chegaram empurrando e armados até os dentes. Muitos deles estavam sem identificação. Os milicos começaram a sair da festa e o clima fechou de vez. Um rapaz que não conheço, mas depois soube de sua história - estava lá por ter perdido seus pais durantes a ditadiura civil-militar - começou a questionar um desses milicos reformados sobre o paradeiro dos seus entes queridos e o xingar de assassino e torturador. O militar deu um tapa na cara do rapaz que o agrediu de volta. Esse rapaz foi detido pela PM e na hora em que ele foi levado nós começamos a pressionar com palavras de ordem para que fosse solto. Resolvemos fechar a av. Rio Branco. Ficamos por uns minutos ali, cantando palavras de ordem como: “prendam os torturadores, soltem os lutadores” foi quando a tropa de choque começou a agir. Primeiro eles gritavam para que liberássemos a avenida. Depois tacaram spray de pimenta nos nossos rostos. Eu me protegi com as mãos, mas mesmo assim fiquei meio sem conseguir enxergar e com uma forte ardência nos olhos, nariz e boca. Quando consegui tirar as mãos do rosto vi a bomba de gás lacrimogênio vir em minha direção e foi uma fração de segundos, eu senti o impacto da bomba no meu peito e cai no chão, vi um pedaço da bomba e tentei pegar... perdi a consciência. Quando acordei estava no colo de um rapaz e Paulo Vitor estava ao meu lado. Pedi que ele avisasse alguém da minha família para que Arthur pudesse ser buscado na Escola. Esse rapaz que me tirou do meio da confusão pode ter salvo minha vida, nunca o vi, mas serei eternamente grata! Depois disso, fiquei muito atordoada, demorei para entender o que estava acontecendo porque havia se instaurado o terror da polícia sobre nós. Dei algumas entrevistas e tiraram muitas fotos de meus machucados. Vi um rapaz tomar choque daquela arma teaser e cair no chão, uma menina desmaiar por causa da fumaça e muito desespero, pessoas correndo, chorando.
Mas, eu precisava sair dalí, fazer alguma coisa com meus machucados, ir na polícia... Maria Cristina e meu pai Alvaro Frota, me ajudaram e a procurar alguém que conhecesse um advogado para me auxiliar na denúncia. Encontrei Roberta Martins e Carlos Latuff e eles me encaminharam para a delegacia onde o rapaz estava preso. Lá encontrei um grupo de manifestantes que aguardavam a soltura do rapaz e o advogado da comissão de direitos humanos da Alerj, Tomás. Depois de esperar por horas para ser atendida, o delegado se negou a me receber exigindo que eu fosse para um hospital, me cuidasse e voltasse no dia seguinte. Fui ao hospital e descobri que nada de sério havia acontecido e que os ferimentos da bomba além de doer muito iriam me acompanhar ainda por alguns meses.
No dia seguinte, voltei a delegacia, dessa vez acompanhada de Marcelo Santini e Tomás. Prestei meu depoimento e fui encaminhada ao IML. Fiz exame de corpo delito. Dentro da possibilidade entrarei com uma representação contra o comando da operação do ato e contra o Estado do Rio de Janeiro.
Estou ainda com muita dor e tenho evitado ficar on porque sentar está muito difícil para mim. Mesmo assim, quero fazer esse relato porque muitos de vocês ficaram preocupados, desejaram melhoras e eu quero mostrar o quanto estou agradecida! Mas, gostaria de agradecer principalmente à Maria Cristina, Frederico Guerra, Paulo Vitor, Alvaro Frota, Roberta Martins e André Fernandes por terem estado ao meu lado e me ajudado: queridos, muito obrigada e “tamujunto”. Agradecer sempre a minha mãe, Cleier que cuidou do meu filho Arthur enquanto eu estava lá.
De acordo com a lei, é permitido o uso desse tipo de arma que dispara bombas desde que seja disparada mirando o chão. O policial que me feriu mirou em mim e isso é ilegal. Essa é a matéria de que se trata a lesão corporal, essa é a tipificação do crime cometido.
Estávamos lutando contra a ditadura que existiu e que insiste em se mostrar presente em nossas vidas. Não fizemos nada de errado ao exigir punição aos sequestradores, torturadores e assassinos que cinicamente comemoravam seu governo de horror. O que aconteceu comigo e com outras pessoas, demonstra o quão poderosos esses senhores ainda são e como nossa luta ainda está muito longe de terminar.
Embora tenha nascido no ano da anistia e não tenha perdido nenhum ente querido na ditadura, no dia 29 de março eu senti em meu corpo a gravidade e a materialidade de tudo aquilo que havia estudado nos livros e ouvido nos relatos. A impunidade daqueles que mataram, torturaram, sequestraram só favorece àqueles que querem continuar sequestrando, torturando, matando.
Não podemos esquecer por nenhum instante, não podemos perdoar, não devemos recuar. Não tenho medo de continuar, não perdi a força de lutar. Ao contrário, tudo o que vivi só reforçou um lema que pra mim é cada dia mais atual: só a luta muda a vida.
Enquanto a comissão da verdade não começar a punir esses canalhas de pijama, enquanto houver um único desaparecido não pararemos! Vamos pra cima desses caras, sem medo da verdade!
#semmedodaverdade
— com Byron Prujansky, Bruno Machado, Roberta Martins, André Fernandes, Fred Guerra, Alvaro Frota, Paulo Victor Leite Lopes e Maria Cristina Martins.

Um comentário:

Anônimo disse...

The portugee economy is in the toilet, and droves of it's citizens are fleeing to neighboring Spain to work just to put food on the table! Those who don't go to Spain are swimming, or jumping on bannana boats to go to Angola or Mozambique just to sell their body for cod to feed their families. The slightly better off portugee are flying to Brasil to live in a favela that is much better than the poor, decrepid conditions they live in now; at least here they can eat.

The portugee are an ignorant bunch stuck in a mental time-warp that only focus on a national soccer team that has never won a single Euro or World Cup and "how" good things were in the distant past rather than focusing on their now deteriorated, non-existant economy, and how bad things really are today.

This is "why" they can't seem to see the log stuck in their eyes but see the splinters in everybody elses eyes. I do find it ironic that they are racist toward Spain, Angola, Mozambique and Brazil only to later go look for a better life in these countries!!

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informacion do putugal?

HTTP://PEDROMILLAN.BLOGSPOT.COM/

*portugal is a shit country! DO NOT VISIT PORTUGAL! Those people are anti-Spanish and Brazilian, Mozambican and Angolan Racists!

Paulo Freire

"Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica."

(Pedagogia da autonomia)